sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quando o telefone toca, o coração para um mero segundo e volta a bater mais tranqüilo. As borboletas do estômago se acalmam por saber que a voz tão desejada finalmente será ouvida. A alma se expande na esperança de ser preenchida pelas palavras que o aparelho eletroacústico transmite e as células de todo o corpo são envolvidas por uma deliciosa dose de adrenalina.
Quando o telefone toca, as emoções ficam afloradas e as expressões se tornam versos da poesia interna e pessoal. Os sentidos se ligam apenas à audição e ficam à espera de um pequeno sinal de arrepio, suspiro e interação com a outra alma que, infelizmente, está longe. O tempo literalmente deixa de existir e apenas a sinceridade e a espontaneidade se tornam padrão de controle daquilo que pode ser vivenciado através de confissões verbais.
Quando o telefone toca, o espírito dói por saber que, em algum momento, a ligação acabará e a noite voltará a ficar fria e solitária. Mas, ao mesmo tempo, parece não se importar com o fim iminente daquela ligação física. Algumas horas ainda serão vividas naquela imensidão sentimental e, momentaneamente, o vício será saciado antes que a saudade consuma novamente a capacidade lógica de pensar e sentir.

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